Como falar é mais importante do que o que falar

Imagine este cenário: você está em uma conversa com alguém importante para você – talvez seu parceiro, seu chefe ou até mesmo um amigo próximo. Você sente que suas palavras estão sendo ditas, mas não ouvidas. O silêncio que se segue é carregado de tensão, como se algo essencial tivesse sido perdido na tradução. Agora me diga: já parou para pensar que talvez o problema não seja apenas “o que” você diz, mas “como” você diz?

A comunicação é a ponte entre nós e o mundo, mas essa ponte nem sempre é construída com os materiais certos. Ao longo dos anos, tenho percebido que muitos dos nossos conflitos surgem não por falta de amor, respeito ou boa intenção, mas pela ausência de uma comunicação verdadeiramente assertiva. E aqui vai uma reflexão que pode soar incômoda: somos responsáveis pelo peso das palavras que escolhemos. Cada frase que soltamos no ar carrega consigo um eco, e esse eco pode construir ou destruir.

O peso das palavras e o dever de ser claro

Há uma ideia que carrego comigo e que molda muito do meu trabalho: a vida é feita de escolhas, e cada escolha implica consequências. Quando nos comunicamos de maneira vaga ou evasiva, estamos escolhendo abrir mão do nosso poder de influenciar positivamente as situações. É como se entregássemos ao outro a tarefa de interpretar nossas intenções, transformando o diálogo em uma loteria emocional.

Pense nisso: quantas vezes você já ficou frustrado porque alguém disse algo que soou como crítica, quando na verdade era apenas uma observação? Ou vice-versa – quantas vezes você foi mal compreendido, sem sequer perceber que sua mensagem estava incompleta? A verdade é que, assim como o universo, nossa linguagem também tem buracos negros – espaços onde as palavras desaparecem sem deixar vestígios. E a única maneira de evitar isso é assumir o controle da narrativa.

O equilíbrio entre autenticidade e respeito

Muitas pessoas têm medo de serem autênticas por receio de ferir o outro. Mas aqui vai uma provocação: será que o maior ato de respeito não é justamente ser honesto, desde que isso seja feito com cuidado? Um relacionamento saudável não é aquele onde nunca há atritos, mas sim aquele onde os atritos são resolvidos com clareza e dignidade. Como costumo dizer: “Não é sobre evitar conflitos, mas sobre aprender a dançar com eles”.

Lembro-me de uma cliente que chegou até mim exausta de tentar agradar a todos. Ela tinha medo de expressar suas necessidades por receio de ser vista como egoísta. Trabalhamos a ideia de que o verdadeiro altruísmo começa com o autocuidado. Quando ela começou a falar com mais firmeza e clareza sobre seus limites, vi uma transformação impressionante em sua vida pessoal e profissional.

Praticando a arte da comunicação assertiva

  • Assuma a responsabilidade pelas suas palavras: Antes de falar, pergunte-se: “Essa mensagem reflete realmente o que quero dizer?”.
  • Fale de si, não do outro: Em vez de acusar (“Você nunca me entende”), expresse sua experiência (“Eu me sinto desconectado quando não conseguimos dialogar”).
  • Crie espaço para o outro: Uma conversa é um jogo de pingue-pongue, não um monólogo. Ouça ativamente e valide os sentimentos do outro.
  • Escolha o momento certo: Nem toda hora é adequada para uma conversa profunda. Espere o momento em que ambos estiverem dispostos a ouvir.

E então, o que você fará com o poder das suas palavras? Lembre-se: você é o autor da sua história, e cada conversa é uma oportunidade de reescrever o próximo capítulo. Se precisar de ajuda para lapidar essa habilidade, estou à disposição para ajudá-lo a encontrar clareza em suas conexões.

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