Difícil de acreditar, mas aconteceu. Você perdeu. Desistiram de você. Não quiseram mais. Parece que não tem mais volta. Você sofre, sofre, e depois de um longo tempo se recuperando, percebe que não sente mais confiança em iniciar um relacionamento sério com mais ninguém. Parece que a qualquer momento pode acontecer tudo de novo, e esse receio faz você se afastar de qualquer um que demonstre intenção em namorar. Sim, você é pistantrofóbico. Mas o que fazer quando se tem pistantrofobia?
Quem sofre de pistantrofobia tem medo de confiar nas pessoas por ter tido experiências negativas no passado. Mas é importante salientar que esse medo é exagerado, e não qualquer receio bobo. O que fazer então para se libertar desse sentimento ruim que impede você de ter novos relacionamentos saudáveis?
O primeiro passo é aceitar a realidade. Nem todo mundo aceita. Não é fácil. É preciso tempo. E geralmente passamos por altos e baixos. Recaídas, revolta, negação, ansiedade, sentimentos de depressão, e por fim, se tudo der certo, a aceitação. Mas mesmo com ela, mesmo aceitando que não há mais o que fazer, às vezes surge um trauma. E a simples ideia de acontecer tudo de novo faz com que evitemos qualquer outro relacionamento. Aceitar, acima de tudo, é admitir determinada realidade. Compreender que independentemente de qualquer ação nossa, o estado de fato não mudará. Mas admitir não significa necessariamente concordar. Não é porque você admitiu que levou um pé na bunda de alguém que você concorda com isso. Você pode continuar inconformado com a situação, mas se a aceita, declara para si mesmo que reconhece o “status atual” de relacionamento.
Muitas pessoas até conseguem reconhecer esse “status atual” depois de algum tempo, mas o maior problema está na tentação em negar a realidade. Se você aceita que terminaram um relacionamento com você, é preciso aceitar a realidade e suas consequências. Não precisa concordar, talvez a pessoa tenha sido injusta, ingrata, incoerente, mas acabou. Aceitar e se livrar do hábito de negar que está tudo diferente de como sempre foi. Esse tipo de atitude que cria traumas desnecessários na sua vida. Quanto mais você nega a realidade, mais estresse sobre tal fato você cria. Quanto mais você vive na “não-aceitação” mais dor você sente. É preciso uma reação radical para se livrar disso. Aceitar a realidade e conviver com suas consequências, independente de quem era a pessoa amada.
E o que mais posso fazer para me “livrar das garras desse amor gostoso”? A tarefa não é simples, mas há outro caminho que deve ser seguido juntamente com a aceitação da realidade: resistir à dor em vez de fugir dela. Você só consegue superar o rompimento de uma relação amorosa se aceitar que sentirá dor emocional, mas que isso é normal e que você superará em algum momento. Aguente firme! Não fuja! Se fizer isso, sofrerá por alguns dias, mas encontrará a liberdade em seguida. O vencedor nem sempre é aquele que sai por cima. Mas normalmente quem sofre primeiro é aquele que foi deixado para trás. Eu disse sofre primeiro, e não sofre mais ou sofre para sempre. Não importa quem você seja, se aceita que perdeu, você se liberta, e preserva o amor que um dia existiu.
Outra forma de acelerar a passagem do sentimento de perda é perdoar. Fazendo isso você sente menos raiva, menos rancor, menos inquietação mental. Se você aceita e perdoa você se liberta das sensações vinculadas ao término do relacionamento e fica mais leve. Mas perdoar não é fácil e precisa ser praticado desde já. São poucos os que aprendem a perdoar, e consequentemente poucos os que aproveitam os benefícios desse ato. Perceba que perdoar não é declarar que a outra pessoa é isenta de culpa, mas sim que você mesmo sabendo da culpa do outro, releva e desconsidera o erro, aceita. O maior beneficiado disso, acredite, é você. Portanto reconhecer as fraquezas humanas em outra pessoa ajuda e muito a sua aceitação da realidade. Quer se livrar do ódio que sente e da raiva que impera dentro de você? Perdoe.
Aceitando a realidade, resistindo à dor e perdoando uma possível conduta injusta da outra pessoa, possibilita a você evitar traumas que podem criar uma pistantrofobia futura. Quer coisa pior do que perder a chance de conhecer uma pessoa interessante simplesmente pelo fato de temer ser abandonado novamente?
Suas experiências negativas passadas não podem afetar tanto a sua vida presente a ponto de impedir que você seja feliz novamente como já foi um dia.
Minha visão clínica
"Pistantrofobia" não é um diagnóstico médico. É um nome popular para algo muito real: o medo de confiar de novo depois de ter sido ferido. Na prática clínica, ele costuma aparecer junto com um estilo de apego evitativo ou com feridas antigas de abandono. Quando esse medo faz você fugir de toda pessoa interessante, ou quando a tristeza do término não passa depois de semanas, vale procurar ajuda: não para esquecer o passado, mas para que ele pare de decidir o seu futuro.Perguntas frequentes
O que é pistantrofobia?
É um termo popular, não um diagnóstico, para o medo exagerado de confiar nas pessoas e de se envolver de novo por causa de experiências amorosas ruins no passado.
Como superar o medo de se relacionar de novo?
Aceitar a realidade do que terminou, permitir-se sentir a dor em vez de fugir dela e perdoar, sem precisar concordar com o que aconteceu. Quando o medo paralisa, a psicoterapia ajuda a trabalhar a origem dele.
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