TDAH Adulto: A Banalização do Transtorno e o Perigo dos Laudos Fáceis

Você já sentiu que sua mente é uma aba de navegador que nunca fecha? Que, por mais que se esforce, o mundo parece caminhar em um ritmo e você em outro? Atualmente, é impossível abrir as redes sociais sem ser bombardeado por vídeos listando "sinais de que você tem TDAH". O problema é que esses sinais costumam ser tão genéricos que qualquer ser humano sobrecarregado se identifica.

Como médico e neurocientista, preciso fazer um alerta: o TDAH não é um acessório de personalidade, um "superpoder" ou uma explicação conveniente para toda e qualquer falha cotidiana.

A glamourização do rótulo e a busca pelo laudo

Estamos vivendo um fenômeno absurdo: o TDAH tornou-se um dos poucos transtornos mentais que as pessoas têm orgulho de ostentar como um "rótulo de identificação" em suas biografias virtuais. Usa-se o diagnóstico como uma blindagem para justificar incapacidades, em vez de tratá-las.

Pior ainda é a crescente pressão por laudos para obtenção de benefícios — sejam acadêmicos ou profissionais — por indivíduos que não preenchem os critérios clínicos. Enquanto uma legião busca um "carimbo" para facilitar a vida, quem realmente padece com o transtorno enfrenta filas e dificuldades para acessar um tratamento sério. O diagnóstico exige história clínica, consistência e exclusão de outros quadros.

O perigo da "Geração Anfetamina"

Outro ponto crítico é a redução do tratamento ao uso isolado de anfetaminas (como o metilfenidato ou a lisdexanfetamina). Muitos chegam ao consultório não em busca de saúde, mas de uma receita para "turbinar" o cérebro. É fundamental entender que a medicação, embora eficaz em casos indicados, não faz o trabalho sozinha.

A literatura científica é clara: a terapia (especialmente a TCC) é um pilar inegociável para o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento e manejo de rotina. Querer apenas o comprimido sem mudar o comportamento é um erro que ignora a complexidade do cérebro.

Prejuízos reais: Muito além da distração

Banalizar o TDAH é um desrespeito com quem sofre prejuízos devastadores. Segundo o Dr. Russell Barkley, o TDAH é um transtorno de autorregulação e funções executivas. Na vida real de quem realmente tem o quadro, isso não é "ser esquecido"; é a ruína financeira por impulsividade, a perda recorrente de empregos, a desintegração de casamentos pela desatenção crônica e um risco significativamente maior de acidentes e abuso de substâncias. São danos profundos e dolorosos.

Como saber se é o seu caso?

O TDAH não "surge" na fase adulta; ele é uma condição do neurodesenvolvimento que precisa ter dado sinais desde a infância. Se você sente que sua desatenção ou impulsividade trazem prejuízos consistentes, procure investigação séria. No meu site, disponibilizei uma ferramenta de reflexão inicial:

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Lembre-se: um teste online não substitui uma consulta médica. A saúde mental exige honestidade intelectual. O primeiro passo para a liberdade não é um rótulo, mas o autoconhecimento e o tratamento adequado.

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